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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quem era a Senhora do Lago?


A Senhora do Lago é uma personagem freqüente nas lendas arturianas, mas de nomes variados: Vivian, Ninian, Nimue.

Originalmente, deve ter sido uma divindade celta das águas e também da luz solar. Mas a partir de qual deusa teria o mito da Senhora do Lago se desenvolvido nas lendas arturianas? Teria sido uma ou mais divindades celtas?

Roger Sherman Loomis (1927) pensava que o mito de Rhiannon contribuiu para o desenvolvimento do mito de Ninian, ou Nimue, ou Viviane, a Senhora do Lago (das lendas arturianas). Quanto a isso, não há um consenso. Jean Markale dedica um capítulo inteiro de seu livro Merlin, o Mago a investigar a origem desse intrigante mito feminino. E desfila todas as possibilidades: Aíne, Dana, Boan, Brigit, Rhiannon... etc.




A variação de nomes

Nas lendas arturianas, também variam os nomes dessa sedutora mulher com quem o mago Merlin está sempre envolvido, de uma forma ou de outra. Vivian, Ninian, Nimue, Ganieda, Gwendolena... O que todas elas têm em comum?

Jean Markale, historiador, filósofo, folclorista e especialista em mitologia celta, escreveu em seu livro Merlim, o Mago:

"A primeira dificuldade que se apresenta é saber qual o verdadeiro nome da companheira de Merlim. Nos poemas galeses atribuídos a Myrddin ela se chama Gwendydd e é irmã do poeta. Na Vita Merlini [Geoffrey de Monmouth, 1132] também é sua irmã e leva o nome de Ganieda. Nos outros textos ela não é mais irmã, e sim amante, e os nomes variam de uma obra para outra, de um manuscrito para outro, e por vezes no mesmo manuscrito.



Assim, no texto tardio de Thomas Mallory, A Morte de Artur, ela usa o nome de Nimue; no Huth-Merlin [manuscrito anônimo de 1250] é encontrada sob a forma de Niniene, e na Vulgata-Lancelote, tal como Sommer a publicou, podem-se encontrar os nomes Uiuiane e Uiniane (na Estoire de Merlin), Nymenche (no Lancelote propriamente dito) e Niniane (no Livre d'Artus). Em um mesmo manuscrito da Biblioteca Nacional de Paris, acham-se Uiuiane e Uiniane em fólios próximos, e, em outro, Uiniane, Uiane e Uiuiane. Levando-se em conta a similaridade do V e do U, e a confusão sempre possível entre U e N feita pelos sucessivos copistas, o nome da companheira de Merlim não parece ter sido logo fixado. Foi preciso esperar o século XVI, e principalmente o XIX, para que a forma Viviane se impusesse, sobretudo na França, em detrimento de todas as outras."

MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. São Paulo: Paz e Terra, 1989. p. 83.



A relação entre todos esses nomes medievais e modernos e a mitologia celta (os deuses que os celtas cultuavam na Antiguidade) deve ser sempre lembrada. A figura da Senhora do Lago é, provavelmente, uma reminiscência de antigas deidades celtas femininas do céu, da luz solar e das águas. Ganieda, Gwenddyd, Gwendolena, Viviane, Niniane, Uiniane ou Nimue - nenhuma delas foi uma personagem histórica. Todas elas - certamente a mesma lenda - têm relação com o universo divino, feérico celta, onde o Lago é sempre um portal entre os mundos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Feiticeiras

ARTUR, A ILHA E AS FEITICEIRAS

No poema mítico galês Preiddu Annwfn (Os Espólios de Annwn), possivelmente do século X e atribuído ao bardo Taliesin, há a narrativa de uma jornada de Artur a Annwn, o Outro Mundo celta na mitologia do País de Gales. Em Annwn, havia um caldeirão mágico, que fervia ao sopro de nove virgens, guardiãs desse caldeirão.

Geoffrey de Monmouth, em Vita Merlini (cerca de 1132), descreve Avalon como uma ilha paradisíaca, onde plantas cresciam magicamente, inclusive cereais, vinhas e principalmente macieiras. Nove feiticeiras, lideradas por Morgana le Fay, habitavam essa "ilha abençoada" no além-mar.